Como educar nosso filho sem mimá-lo

Como educar nosso filho sem mimá-lo

Lowen* explicava que muitos pais e mães fazem da educação de seus filhos um jogo baseado em conseguir serem vistos como bons pais e mães e, para isso, precisam que seu filho seja bom, obediente e bem educado. Se conseguirem, receberão elogios e parabéns de outros adultos (pais e professores, sobretudo). Os pais e mães que fracassam são vistos como incapazes e podem escutar frases como “não tem autoridade, nem firmeza”; “seu filho faz sempre o que bem entende”; “seu filho manda e você obedece”; “seu filho faz de você gato e sapato”.
Quando sentimos que isso reduz nossa autoestima e podemos “perder”, estamos tratando a criação de nossos filhos como um jogo.
Um pai e uma mãe que jogam esse tipo de jogo não sabe que está jogando: acredita que é uma questão muito importante e real. Acham que, se permitem que o filho faça o que ele quiser, o filho se tornará um fracassado, um rebelde, um marginal. Em nossa sociedade, vemos a criança obediente como amorosa e a rebelde como hostil. 
A crença profunda que está por trás desses pensamentos é que a natureza humana não é boa. Que precisamos domar nossos filhos porque a natureza do ser humano é egoísta e destrutiva. Mas e se tivéssemos fé na nossa natureza? Teríamos fé na natureza de nossos filhos. Se temos fé neles é fácil eles terem fé em si mesmos. 
A falta de fé gera tensão e conflito, o que acaba nos separando de nossos filhos. “Mamãe gosta de você apenas quando você é bonzinho”: não só ameaçamos com a perda do nosso amor, como também estamos rejeitando a criança. Estamos falando que não aceitamos a criança como ela é, mas apenas se ela estiver disposta a abandonar sua resposta espontânea e se tornar uma pessoa submissa e obediente.
A crianças saudáveis protestam, mostram teimosia, rebatem… Faz parte do processo de autoconscientização. Rejeitar a criança ou até mesmo retirar nosso amor materno/paterno, nos mostrando frios diante dela, é uma forma de amor condicionado. 
O princípio do jogo é “não deixar a criança fazer o que ela quer” e é assim que o antagonismo tem início. Se os pais e as mães cedem, por culpa ou para a criança se calar, estarão “mimando-a”. Em algumas ocasiões, os pais e as mães se sentirão débeis e acreditarão que precisam ser mais firmes na próxima vez. Começa assim uma batalha sem fim – e a criança começará a jogar também, resistindo ou tentando satisfazer os pais por medo de perder o amor deles. A criança começa a criar um caráter baseado nesse jogo, na manipulação, na falta de confiança no amor e nela mesma. 
Nossos filhos e filhas seguirão nosso estilo se for um estilo de amor, aceitação e prazer. Respeitarão nossos valores e se identificarão com eles. Mas também afirmarão sua individualidade e exigirão liberdade para descobrirem-se por si mesmos. Vão atingir a maturidade e independência como pessoas adultas que sabem o que querem. Seu jeito não será muito diferente de seus pais, por que teria que ser? Se foi uma fonte de prazer para eles, não há motivo para mudar.
*Alexander Lowen (1910-2008) foi um psicoterapeuta estadunidense que estudou a relação entre mente e corpo, criando a Bioenergética. Este texto tem como base o seu livro “O corpo em depressão: as bases biológicas da fé e da realidade.
[author] [author_image timthumb=’on’]https://mariarozas.com.br/wp-content/uploads/2020/05/maria_rozas_conheceme_mobile.jpg[/author_image] [author_info]María Rozas é Terapeuta  e Pedagoga, especializada em trauma, apego e maternidade.  Ajuda a mães a se sentirem plenas com elas mesmas e no relacionamento com seus filhos.

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