Cozinhar com crianças – Autonomia e falsa autonomia

Cozinhar com crianças – Autonomia e falsa autonomia

Inserir nossos filhos nas tarefas domésticas faz com que eles desenvolvam um sentido de pertencimento e competência, pilares fundamentais para que se sintam felizes e se comportem melhor (nos relacionamos melhor com o outro quando nos sentimos bem).
São atividades muito atrativas para as crianças menores, pois envolvem diversas habilidades como lavar, medir quantidades, fazer transferências, cortar, limpar… E tudo isso com elementos do cotidiano, que são os de maior interesse para eles que estão a descobrir o mundo.
Maria Montessori define essas tarefas como Vida Prática, que são incluídas no currículo escolar das suas escolas. Muitas famílias incorporam essas ideias no seu dia a dia pela repercussão do método na mídia.
Acontece que os adultos gostam muito das atividades bem feitas e planejadas, e o que as crianças precisam é BRINCAR. O brincar não é organizado nem planejado (sobretudo nos primeiros anos de vida): ele é espontâneo e o interesse pelas tarefas domésticas também.
Na escola é mais simples e apropriado incorporar essas tarefas de forma organizada, porém em casa pode gerar muita frustração ter essa expectativa.
 Algumas ideias que podem ajudar:

  • Diferençar autonomia de falsa autonomia

Nossos filhos querem participar da vida em casa, e desejam ser autônomos, mas a autonomia se constrói e nasce do desejo por fazer. Se dou uma vassoura para meu filho e mexo sua mão para ele varrer, não estou ajudando na sua autonomia. O desejo é fundamental.

  • Seguir o interesse da criança

As crianças sabem o que elas querem fazer, seus desejos se mostram com muita clareza. Elas estão interessadas no mundo a sua volta, e é muito provável que gostem de ver como cozinhamos e até desejem participar disso. A curiosidade delas é enorme e as tarefas domésticas têm essa dupla fascinação: de fazer parte da realidade e serem feitas pelos adultos. Permitamos sua participação naquilo que lhes interessa.

  •  Adaptar o ambiente: para que uma criança possa se sentir partícipe e autônoma deve poder ter suas próprias ferramentas:

[box type=”shadow”] Uma torre de aprendizagem para subir e estar na altura do que acontece na cozinha; Um pano para corrigir os erros e limpar; Uma pequena vassoura; Um borrifador com água e vinagre para limpar; Uma esponja pequena.[/box]
 Os objetos devem estar na altura, organizados, etiquetados, de modo que a crianças saiba o que são e para que servem.

  • Acompanhar a frustração

A nossa e a deles. É fundamental não ter muitas expectativas. A internet está cheia de imagens lindas de crianças fazendo tarefas domésticas como se fossem pequenos adultos. As crianças são crianças e a espontaneidade as define. Prepararemos tudo para que eles façam uma receita sozinhos, elas subirão na torre, começarão a receita, jogarão farinha no chão e irão embora. No outro dia, realizarão tudo com muito cuidado, interesse e concentração. Haverá de tudo e TUDO deverá ser aceito.  

  • Confiar

Quando inserimos as crianças nas tarefas domésticas, podemos estar atrás delas, corrigindo e explicando como fazer; ou podemos mostrar uma vez como nós fazemos e permitir que eles experimentem. Não criemos conflitos que não existem, confiemos em nossos filhos. Pode acontecer que durante um tempo não queiram participar de nenhuma tarefa e voltem a gostar dessa mesma tarefa meses depois. E muito provavelmente vamos aprender muito nesse processo de acompanhá-lo.
[author] [author_image timthumb=’on’]https://mariarozas.com.br/wp-content/uploads/2020/05/maria_rozas_conheceme_mobile.jpg[/author_image] [author_info]Maria Rozas, pedagoga e terapeuta transpessoal, especializada em maternidade e criação consciente. Quero ajudar você a se sentir plena e feliz, com você mesma e no relacionamento com seus filhos[/author_info] [/author]

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