Fantasia x Imaginação, um parecer sobre o Natal

Fantasia x Imaginação, um parecer sobre o Natal

Já faz um tempo que tenho em mente este texto, mas estava aguardando o momento certo, e olha só o Natal já está por toda parte! Os shoppings já estão enfeitados e estimulando as compras de final de ano e junto com isso muitas mães já estão preocupadas no que vão dizer para seus filhos sobre diversos temas ao entorno dessa data, mas principalmente sobre o Papai Noel.

Presentes ou presença?

Esse é um tema muito pessoal de cada família, e mais, de cada ser. Inicio esta reflexão reforçando que o meu intuito é de trazer o meu contexto, como nós fazemos aqui em casa, e isso não significa que estamos certos ou errados, nem tampouco que vocês devem fazer como nós. Maria Montessori dizia “Não sigam à mim, sigam a criança.”. Como você desejar tratar esse assunto é o melhor jeito para vocês.

No Método Montessori existe uma diferenciação muito clara entre fantasia e realidade, é um tema um pouco difícil no começo porque não estamos acostumados a diferenciar os dois conceitos, mas simplificando muito:
Imaginação é o que a própria criança cria na sua mente por ela mesma.
Fantasia é um conceito que outras pessoas imaginaram e colocam na mente da criança.
Então quando meu filho me diz: “Vou te dar um beijo sabor de amora”, essa fala representa ele com a sua imaginação criando esse conceito. Como ele mesmo quem criou sabe que não é verdade, como quando brinca que é o cantor do Grupo Triii no cenário inventado em casa. Mas, quando ele me pede que coloque a vassoura atrás do carrinho porque acredita que ela voará como viu outro dia em uma história de bruxas, isso é fantasia.

Vassoura voadora

Para Maria Montessori era importante preservar os primeiros seis anos de vida da fantasia, isso porque a criança está compreendendo o mundo, e tudo aquilo que não é real perturba a construção da sua psique, por isso deve ser evitado.
O que falou Maria Montessori da Papai Noel?

“Faça o que quiser com o Papai Noel, isso é algo passageiro, mas se mente sobre coisas religiosas e reais ofende a alma da criança. Seja muito, mas muito cuidadoso, seja sincero e não brinque com crianças e jovens usando esses temas levianamente.”

O que decidimos fazer em nossa casa?

1. Mentir ou não mentir: escolhemos não mentir.
Eu tenho uma péssima lembrança de quando soube quem era o Papai Noel de verdade, me senti ofendida, senti que estiveram rindo de mim todo esse tempo. Mas outras pessoas podem não se sentir assim, como meu irmão que só perguntou se ele iria a continuar ganhando presentes. Então, depende muito de como é a sua experiência em relação a isso, se para você não é uma mentira, então não sentirá que está mentindo.
2. Fantasia X Imaginação: Não gosto de potencializar a fantasia porque sinto que não damos valor suficiente ao nosso magnífico mundo. As crianças ficam maravilhadas com coisas reais todo tempo, é tão comum me deparar com sua euforia “Olha mamãe, olha, olhaaaa!!!” para me contar “Um carro vermelho”, “Uma borboleta” ou sobre uma estrela que surge no céu poluído da nossa cidade.
3. O que significa o Natal para nós?
Temos o Natal como um rito de passagem, uma mudança de ciclo junto com o fim do ano, um momento de relembrar e de fazer pedidos, e assim como em outras reuniões familiares agradecemos por tudo o que aconteceu.
Para ajudar a expressar aquilo que acreditamos em cada mudança de estação enfeitamos uma árvore que temos em casa, ela já secou faz tempo, e agora está em clima de primavera, no Natal a enfeitamos com adornos que nós mesmo fazemos como acontece nas outras estações, e à partir desse ano vamos acrescentar enfeites com coisas que trazemos de nossas viagens para recordarmos juntos esses momentos.
Antecipadamente presenteamos a família com um enfeite para suas árvores que enviamos junto com uma carta de agradecimento para que chegue em dezembro.
No dia 24 nós fazemos uma troca de presentes e colocamos um pouco de mistério deixando eles durante à noite para serem abertos no dia 25.
Aí vai de cada família inserir os valores e significados que deseja para esta data.

4. O que podemos falar sobre o que as outras famílias fazem?
Podemos contar que em cada uma delas expressa de um jeito as suas crenças, e isso muda inclusive de lugar para lugar, aqui tem o Papai Noel, na Espanha os Reis Magos…
No Natal vamos estar em um hotel que tem papai Noel, aí nós vamos falar que damos o presente para ele entregar.

5. E se a criança me perguntar “Papai Noel existe?”:
Eu não posso sustentar essa verdade, eu responderei: “O que você acha?” Porque acredito que é mais produtivo fazer perguntas do que dar respostas, é mais importante para mim que ele consiga acessar a sua verdade do que seguir a minha.

6. E o que fazer com os demais? (Se nossos filhos não acreditam e os dos demais sim)
Primeiro devemos lembrar que isso acontece o tempo todo, sempre tem crianças que descobrem em algum momento e falam para os outros. Eu não colocaria essa responsabilidade nas crianças, afinal de contas não vamos obrigar nossos filhos a reproduzir uma mentira que é nossa para os outros.
Conheço várias experiências de outras mães com filhos maiores que nunca mentiram para seus filhos e desde sempre falaram que o Papai Noel não existia e ainda assim as crianças acreditavam na existência do Papai Noel, então acho que o que realmente importa é a mensagem do que queremos transmitir com o Natal, do que este tempo significa e não focar tanto nos presentes e quem os dá.

Agora os meus pedidos de Natal para vocês! Isso mesmo! hohoho

Pedido nº 1: Não obriguem as crianças a fazer uma foto com o Papai Noel, é aterrorizador sentar nas pernas de um desconhecido vestido de vermelho com uma barba gigante e um saco do lado.
Pedido nº 2: Não falem que o Papai Noel vigia eles para ver se são bonzinhos, é aterrorizador pensar que alguém está lhe vigiando o tempo todo, isso os aprisionar e os faz agir pelo medo, e ninguém quer isso né?! Todas as crianças são boas! 
Abraços e boas festas! ?

1 Comentário
  • Claudia Ferraz
    Postado às 15:32h, 27 novembro Responder

    Que demais! Amo todo o conhecimento que adquiro com você! Muito obrigada.
    Ah, quanto aos seus pedidos de Natal, o segundo é sem piscar que fazemos né. Acho meio bizarro. Recentemente falaram para o Vitto que se ele fosse bonzinho o papai Noel ia dar presente no final do ano. Eu fiquei horrorizada e complementei que o Vittorio poderia ser bonzinho sempre que puder, independente de ganhar presente (acho que ele me entendeu mesmo não sabendo o significado da palavra independente).
    Quanto ao seu primeiro pedido sobre a foto te digo que fui esse ano levar ele para tirar, mas no meio do caminho ele me pediu para fazer outra coisa e eu atendi o seu pedido. No ano passado ele ainda tinha 1 ano e forçamos a barra para ele sentar lá com o velhinho de vermelho, senti que ele tava incomodado e fui tirá-lo de lá. Sabe o que ele fez? Hauahuaha. Levantou, pisou no colo do moço e puxou a barba dele! Em um tom de brincadeira, com uma expressão de bagunceiro. Foi divertido, Mas a conclusão é que é difícil a gente respeitar os desejos das crianças. Tenho sempre a impressão que eles têm que fazer tudo o que a gente manda e não deve ser assim. Parabéns pelo blog e ótimas festas!

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