“Meu filho morde”

“Meu filho morde”

Hoje vamos falar de comportamentos pouco adequados e não desejados em crianças pequenas. Sinto que é uma preocupação que atinge muitos pais, desejamos que nossos filhos compreendam e atuem com empatia e generosidade com os outros, sigam as normas sociais e nos escutem como orientadores amorosos que somos. Bom, são ideias muito legítimas, mas não realistas, pelo menos nos primeiros anos de vida e vamos ver porquê.

Não há certo ou errado, há expectativas.

A primeira realidade que devemos aceitar é que os nossos filhos vão ter comportamentos pouco adequados de qualquer jeito, assim podemos respirar, relaxar e jogar um pouco de culpa fora. Morder, empurrar, jogar coisas, bater, berrar, beliscar e puxar o cabelo de outras crianças são comportamentos habituais e poderíamos falar que são normais.
Atrás de toda violência há uma necessidade não atendida.
Mas porque meu filho morde, puxa o cabelo, empurra…?
– Porque a linguagem ainda não está desenvolvida e essas ações permitem as crianças se expressarem.
– Porque a parte emocional do cérebro, sistema límbico, está em pleno desenvolvimento e as crianças não conseguem lidar com suas emoções, assim as percebem como se fossem pequenos tsunamis.
– Porque as crianças estão descobrindo o que conseguem fazer com o corpo e testam ele. E PRECISAM fazer isso, a necessidade é muito grande.
O que podemos fazer?
1. Manifestar que o comportamento não é adequado, com firmeza e carinho. É melhor ser breve e claro: “Empurrar as pessoas machuca”.
2. Oferecer uma alternativa para esse comportamento, por exemplo: “Você quer empurrar? Vamos procurar uma coisa para empurrar”. Pode ser um carrinho, ou até uma parede!
3. Tentar antecipar, ser constante e atuar como exemplo. Eu consigo ver quando meu filho quer morder, normalmente quando está mais empolgado brincando comigo e eu deixo de dar atenção, aí ele morde. Evito que chegue esse momento dando atenção antes ou oferecendo alguma distração. O que não funciona é morder para que eles vejam que dói, o cérebro das crianças não funcionam assim, só ficariam com raiva e estaria dando o exemplo contrário.
4.Validar suas emoções: A necessidade e emoção que existe atrás do comportamento pouco adequado é legítima, e devemos mostrar que reconhecemos ela. Assim quando nossos filhos se sintam com raiva e comecem a bater devemos separar a emoção legítima do comportamento, reconhecer sua chateação, validar a emoção e redirigir o comportamento para expressar a emoção de um jeito mais adequado, por exemplo soprando forte (em um momento no qual você mesmo fique bravo experimente inspirar profundo e soltar o ar muito forte e rápido, a onda emocional desce de um jeito maravilhoso!)
Não é fácil, mas estamos juntos no caminho! Vamos ajudar outras mães e pais quando aparecerem esses comportamentos esperados e habituais, se o nosso filho é vítima deles reconheçamos sua dor, mas ajudemos o outro para não ser estigmatizado. E vamos orientar seus cuidadores a levar com calma a situação.
Todos fomos crianças uma vez! Conectemos com isso.

[box type=”bio”] Maria é mãe, pedagoga e terapeuta (não necessariamente nessa ordem). Criou Flamingo Sour para acompanhar famílias no processo de mudança que significa ter um filho. Sua visão se encontra com as pedagogías Montessori e Pikler, mas sobre tudo com o profundo respeito a maternidade, sabendo que cada mãe é o melhor para seu filho. [/box]
 

1 Comentário
  • Raquel
    Postado às 12:41h, 17 setembro Responder

    Maria, você é incrível! Sou sua fã. ????

Deixe um comentário