Na pracinha

Na pracinha

“Ainda são pequenos, né? Não sabem muito bem como brincar.”
É com essa frase que escutei outro dia na pracinha de uma senhora que cuidava de seu neto de um ano e quatro meses que inicio esta reflexão.
A ideia de escrever sobre as pracinhas é porque neste espaço público sinto ser possível observar como os adultos concebem a infância. De maneira inconsciente, ou consciente, são visíveis as bagagens de suas próprias infâncias e o que reproduzem nas crianças que cuidam.
O que essa senhora apontou inocentemente em relação à criança pequena, que não são capazes de brincar “direito” é uma visão comum que permeia o pensamento de muitos adultos.
Vamos lá, o brincar é intrínseco, começa desde o bebê explorando o corpo da mãe, e de seus cuidadores próximos, depois construindo a impressão de si mesmo explorando seu próprio corpo descobrindo suas mãos e pés. Envolve também a descoberta de seus movimentos e a busca exploratória pelos objetos a volta que integram sua realidade. O brincar evolui, mas não o podemos parar, faz parte do desenvolvimento do ser humano.
Essa mesma senhora me trouxe: “Não saber o que a criança vai fazer me assusta.”. Há nos adultos dificuldades de aceitar que as crianças têm seus próprios interesses e iniciativas. O que temos são cuidadores que antecipam os influxos da criança, dizendo o que deve ser feito, onde elas têm que ir, quais materiais utilizar, com quem devem se relacionar. Isso acontece por falta de confiança nas capacidades da criança. Essas ações intervencionistas dificultam o processo natural do brincar.
Desde pequeninos essa é a sua atividade, e é dessa maneira que interagem, adquirem novos conhecimentos e reconhecem o mundo. É essencial ao ser humano. Portanto as crianças brincam direito sim, cabe a nós sermos capazes de permitir esse espaço e apreciar.

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